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Palestra aborda futuro da comunicação na Web

março 25, 2008

Sucesso na transmissão ao vivo pela Internet

 

O sucesso da palestra Tendências da Comunicação On-line, ministrada por profissionais de alto nível na sede do British Council no Rio de Janeiro e transmitida ao vivo pela Internet, prenuncia um projeto cujo objetivo é realizar cursos e seminários para profissionais e estudantes de Comunicação Social. Realizada no dia nove de Abril, a primeira palestra revelou novidades do mundo virtual, além de desenhar os contornos das maiores dificuldades deste meio atualmente.

O projeto foi idealizado por um dos palestrantes, Cássio Politi, e realizado em parceria pelo Britsh Council, Jornalistas da Web e Comunique-se. Estiveram presentes vários membros da comunidade de ex-alunos do Reino Unido, dentre eles dois palestrantes: Daniel Stycer e Yami Trequesser. A participação dos ouvintes foi fundamental para o desenvolvimento do debate, foi dedicado um longo tempo para perguntas, muitas das quais foram feitas através Internet por ouvintes virtuais. A transmissão ao vivo, de alta qualidade, foi assistida por turmas de faculdades do estado de Minas Gerais.

 

Internet e celular

A primeira palestrante foi Yami Trequesser, Jornalista e Mestre em Novas Mídias pela Universidade de Westminster, no Reino Unido, atualmente mora em Londres, onde trabalha para a agência de publicidade Them, além de ser colunista do Blue Bus. Segundo Trequesser, “a tendência que está ganhando muita força lá fora, já há algum tempo, é essa convergência entre Internet e celular”. Para exemplificar, ela fez uma lista dos sites que estão fazendo essa tendência acontecer.

Com o Jaxter (www.jaxter.com) é possível receber ligações gratuitas com alto grau de privacidade. Funciona assim: você se cadastra e recebe um código html que ao ser adicionado ao seu site, blog ou e-mail vira um botão. Quando uma pessoa clicar no botão, você receberá uma ligação gratuita; e a pessoa que ligou não sabe o seu número de telefone, preservando a sua privacidade. Portanto, essa tecnologia pode vir a superar o skype (serviço que faz ligações via Internet com grandes descontos).

O Attributor (www.attributor.com) promete ser uma nova arma contra a pirataria de material intelectual. Esse site busca na Internet material com copyright que está sendo utilizado ilegalmente na Internet e reporta ao dono do material. Por trás dessa empreitada estão gigantes como Google e Skype. Por enquanto o serviço ainda está em versão beta (versão de teste) e requere um cadastro para sua utilização.

O Pandora (www.pandora.com) e o Last Fm (www.last.fm) oferecem serviços semelhantes e por isso são concorrentes. Ambos são chamados sites orgânicos, por que aprendem com o gosto do usuário. A partir de cadastros, o site procura artistas similares aos dos cadastrados. Se as músicas recebidas não agradarem ao usuário, o site aprende e passa a procurar outras músicas. Esta tecnologia está atraindo investidores com interesse em transportá-la para os celulares. O objetivo são tecnologias capazes de funcionar tanto nos celulares e quanto na Internet.

Voltado para quem trabalha com publicidade, o Thought Equity (www.thoughtequity.com) é um repositório de filmagens. Neste site é possível comprar e vender vídeos publicitários. O vídeo enviado pelos usuários é vendido no site, e quem o fez ganha uma comissão. Bem ao estilo da Web 2.0 (a parte da Internet criada pelos usuários. Inclui sites como Wikipedia, e Youtube, além dos Blogs e similares) a colaboração é essencial.

O Kyte (www.kyte.tv) é semelhante ao Youtube (fenômeno da Internet, onde vídeos são enviados e podem ser assistidos), mas voltado para os celulares. No Kyte é possível enviar vídeos e fotos feitos no celular, apesar de ainda estar em versão beta.

Já bem explorado pela mídia, o Joost (www.joost.com) é televisão com alta definição. Idealizado pelos criadores do Skype e do Kazaa, esta tecnologia combina as melhores a qualidade de programação e imagem da TV e a interatividade da Internet. Há, porém, algumas dificuldades: o Joost não funciona em computadores Mac sem chip Pentium, necessita de uma banda larga altamente veloz e uma certa falta de privacidade, pois os donos do site além de terem os cadastros, têm informações detalhadas de quais programas uma pessoa assiste e por quanto tempo. Portanto, este site poderá ser uma ótima fonte para quem faz pesquisa de mercado.

Uma ferramenta muito utilizada na Europa e recentemente descoberta pelos brasileiros, o Second Life está crescendo. São mais de cinco milhões de usuários e, a cada dois meses, entram mais um milhão. Muitas empresas têm filiais nesse mundo virtual e outras atendem unicamente dentro do Second Life. Não é preciso pagar para entrar, basta se cadastrar e criar um avatar, a imagem virtual do usuário e que pode ser como este quiser.

A Websemântica é uma tendência que começou em 1999, com o criador da Internet, Tim Berners-Lee. Mesmo ainda não estando acessível aos usuários, a promessa é não só refinar os sistemas de busca, mas mudar a forma como recebemos informação e serviços pela Internet. O princípio da tecnologia é fazer os mecanismos de busca entenderem o significado das palavras buscadas. Segundo Yami Trequesser, a Websemântica “pode ser o próximo grande passo da Internet”.

 

Tendências do jornalismo on-line

O diretor de operações da BBC Brasil, Asdrúbal Figueiró é jornalista há 17 anos. Por conta da experiência dele, a palestra foi concentrada no jornalismo on-line. Segundo Figueiró, atualmente existem quatro tendências para este tipo de jornalismo: participação do usuário, personalização, multimídia na Internet e produção de conteúdo próprio.

A participação do usuário não é só uma tendência; atualmente, ela é uma realidade. A BBC já utilizou material produzido por usuários, mas algumas empresas se especializam e utilizam apenas material deste tipo. Outra possibilidade é o leitor como editor. Atualmente muitos sites colocam as notícias mais lidas no topo, dando assim ao leitor ao poder e hierarquizar as notícias, interagindo com a informação.

Personalização é uma ferramenta disponível em alguns sites, capaz de possibilitar ao usuário escolher quem vão ser os editores e quais notícias ou editorias aparecerem no topo da página. Existem várias ferramentas para personalizar. O RSS (tecnologia utilizada por empresas de notícia. Ela informa novas atualizações para usuários) é um exemplo antigo. Para quem faz jornalismo, a convergência entre celulares e laptops é importante, pois alterará a velocidade com que se consome a notícia e essa notícia será consumida nos celulares-laptops de forma personalizada.

Apesar de não muito difundido, o uso de multimídia na Internet já existe e, segundo o palestrante ainda vai crescer mais. O Joost é um exemplo do que existe. A maior dificuldade para o avanço desta tendência é a largura de banda, porém isso já está sendo superado. A Internet em breve estará em todos os lugares e isso trará mais demanda por recursos multimídia.

A produção de conteúdo próprio não é tão difundida no Brasil, apesar de haver mais jornalismo próprio em relação a outros lugares. Entretanto, o próprio jornalista de Internet, há até algum tempo atrás, era alguém que trabalha apenas com a informação vinda de outros sites, como agências de notícias. Isso mudou, e cada vez mais cresce a demanda por apuração própria e jornalismo original. As dificuldades para se fazer a reportagem podem ser um problema para o jornalismo próprio, mas nem sempre isso ocorre. É o caso de jornalismo sobre temas específicos, como um pequeno time de futebol, por exemplo.

 

Etiquetas da informação

Autor do livro “Webwritting – Redação & Informação para web”, consultor de informação para mídia digital da Petrobrás e instrutor Webwritting e arquitetura da informação, Bruno Rodrigues afirmou que 90% do material produzido pelo usuário é lixo. Para ele, deveríamos falar em conteúdo jogado pelo usuário, em vez de gerado. Além disso, Rodrigues falou numa antiga tendência da Internet, atualmente em declínio devido a crescente complexidade dos sites, a arquitetura da informação.

Segundo Bruno Rodrigues, a diferença entre redatores e o gestor da informação digital é que o primeiro é um amante da frase, enquanto o segundo, amante da palavra. Isso por que na Internet, por causa da Websemântica, o mais importante são as palavras. Somente elas são capazes de etiquetar as informações. Além disso, a integração da informação com o vídeo em banda larga finalmente é possível; e o vídeo é capaz de absorver todas as outras mídias. Portanto, a importância do texto é reduzida na Internet.

Durante muitos anos os profissionais de Internet se preocuparam com a arquitetura da informação, entretanto ela está em declínio. Isso por que o aumento na complexidade dos sites gera dificuldade. Hoje, a tendência é mostrar marcas sobressaindo à arquitetura da informação. Pois as pessoas querem chegar mais facilmente às informações.

Sobre a qualidade do conteúdo gerado pelo usuário, Rodrigues não se diz contra. Entretanto acha importante ter olhar crítico sobre este universo. Por fim, ele ressaltou a importância de simplificar e deselitizar a Internet. Pois o usuário comum, ao contrario do produtor, tem dificuldade de acessar e distribuir informação on-line.

 

Comentários

Ombudsman do portal Comunique-se (www.comunique-se.com.br) e diretor da Escola de Comunicação (www.escoladecomunicacao.com.br), Cássio Politi foi idealizador do projeto do qual fez parte a palestra “Tendências da comunicação on-line”, e que consiste na realização de cursos e seminários de Comunicação Social.

Politi falou sobre a questão da interatividade. Para ele, escrever para um site onde os usuários comentam “é como falar em público, sendo que a última palavra é da platéia”. Portanto o jornalista deve redobrar os cuidados com o que escreve. Um grande problema do jornalismo on-line atualmente é a falta de reportagem na rua. Em geral, o jornalista está acostumado a fazer reportagem por telefone ou e-mail, resultando numa qualidade mais baixa da informação.

A importância do cadastro de usuários para habilitar comentários é para evitar a covardia, apesar de dificultar a publicação dos mesmos. Sem ela, a página de comentários fica caótica, repleta de palavrões e erros de português. Apenas a necessidade de cadastro para comentar já inibe os comentários irresponsáveis. Mesmo o cadastro, entretanto, não exclui a necessidade de moderar a página de comentários.

O que é jornalismo de precisão?

março 5, 2008

O norte-americano Philip Meyer foi quem propôs a metodologia do jornalismo de precisão, um caminho diferente do novo jornalismo dos anos 60 que utilizava técnicas literárias. Em seus livros Precision jornalism: a reporter´s introduction to social science methods e The new precision jornalism, publicados em 1973 e 1991, constatou o crescimento do número de habilidades necessárias à formação de um jornalista. Meyer pretendia aplicar métodos científicos de investigação social e psicossocial à prática do jornalismo. As aplicações das técnicas de “RAC” (Reportagem Assistia por Computador ou, em inglês, CAR – Computer Assisted Reporting) devem ser entendidas dentro deste contexto de aproximação entre jornalismo e ciência, proposto pelo jornalismo de precisão.

 

Técnicas instrumentais

 

As principais técnicas de “RAC” são a navegação e busca na Internet, utilização de planilhas de cálculo e bancos de dados, que servem para colher e processar informação. A busca na internet é feita através de sítios que utilizam palavras-chaves. Os mais conhecidos são o Google e o Yahoo, mas existem outros, como o Kartoo. O principal obstáculo são as referências irrelevantes. Outra dificuldade é a confiabilidade, já que não é possível saber se o conteúdo de um sítio é verdadeiro. Os sítios de maior credibilidade são os governamentais.

Planilhas de cálculo distribuem dados em colunas com linhas e funcionam como uma calculadora eletrônica sofisticada, capaz de fazer operações matemáticas em segundos. A mais utilizada é a Excel do Microsoft Office. Uma operação freqüente é a transformação de valores absolutos em porcentagens, dando origem a pautas e documentação que possibilitam afirmações conceituais. A capacidade de converter os dados em gráficos é um ótimo recurso, pois permite melhor visualização da informação. Os dados podem ser importados de tabelas divulgadas por qualquer meio. A boa utilização das planilhas pode gerar a credibilidade necessária para uma boa reportagem.

Bancos de dados permitem armazenar e organizar grande volume de informação em forma de números, textos ou fotografias, facilitando a comparação de diferentes informações. O programa mais comum para fazer um banco de dados é o Access do Microsoft Office. Um repórter especializado em determinada área pode colecionar bancos de informação. Muitos jornalistas o utilizam para facilitar o arquivamento de informação ao fazer “livros-reportagem”. No livro A Reportagem, Nilson Lage aconselha levar a lógica dos bancos de dados para todo arquivamento feito no computador, evitando a bagunça.

 

Conclusão

 

O desenvolvimento da “RAC” nos Estados Unidos é feito, em grande parte, pela NICAR (Instituto Nacional para Reportagem Assistida por Computador) que, até o início de 1999, havia treinado 12 mil repórteres (LAGE, 2001). No Brasil há uma enorme lacuna neste campo do conhecimento que só a partir de 2001 a ABRAJI começou a preencher. A importância da “RAC” e sua utilidade enquanto técnica científica aplicada ao fazer jornalístico é um sinal da necessidade da metodologia proposta por Meyer no jornalismo contemporâneo. O jornalismo de precisão não se resume à “RAC”, sendo este último um conjunto de técnicas, enquanto o primeiro é uma tentativa de transformar a formação de jornalistas, centrando-a em três habilidades: como encontrar a informação, como avaliá-la e analisá-la e como transmiti-la de modo à suplantar o ruído e chegar ao público. Portanto, adotar a metodologia do jornalismo de precisão é uma aproximação com as ciências exatas.