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100 anos sem Machado

abril 4, 2008

Comemorações e lançamentos homenageiam autor

Machado por Marc Ferrez

 

O Ano Nacional Machado de Assis promete um aumento de vendas da obra do escritor. Apesar da imortalidade, Machado não vende muito e é ofuscado pelos constantes lançamentos estrangeiros. Entretanto, cem anos após a morte do Bruxo (como ficou conhecido), oito novas obras serão lançadas, trazendo novidade para quem já conhece o universo machadiano; além de vários relançamentos, incluindo edições populares, para quem quer conhecer.

As homenagens serão muitas, em inúmeros ciclos de palestras. Ao longo do ano, a Academia Brasileira de Letras discutirá seu fundador em seminários, palestras e mostra de filmes. Em Paraty, a Flip também homenageia o autor. Para completar, A Casa de Rui Barbosa presenteou os estudiosos do maior escritor brasileiro com um banco de dados, disponível em www.machadodeassis.net. Nele são encontradas informações sobre as alusões a diferentes temas feitas por Machado de Assis, em seus romances e contos.

 

Quem lê Machado

O perfil do leitor de Machado continua inalterado há tempos. O estudante obrigado a ler os clássicos para a escola ou vestibular é quem mais compra do autor. Fora ele, apenas quem percebe a importância de ler e reler os clássicos. Um desses leitores, o jornalista César Garcia, alerta: “é preciso tirar o ranço de leitura obrigatória de seus livros, explicando para as novas gerações quem foi Machado em sua época, chamando, assim, atenção para sua trajetória”. Só assim vão conhecer “a composição psicológica de seus personagens e sua capacidade de retratar contradições humanas como espelho de uma época”.

Para o gerente de livros da livraria Da Conde, Adriano Kneipp, a facilidade em traduzir livros estrangeiros é o grande responsável pela preferência do consumidor pelos lançamentos internacionais. Uma pena, afinal, ler Machado de Assis é “essencial para entender a alma brasileira no momento da virada de século”. Contrastando com o fácil acesso a traduções, está uma certa dificuldade em ler o maior escritor brasileiro. Problema de simples solução, como explica o jornalista César Garcia: “é importante para o leitor conhecer um pouco do contexto da realidade brasileira em que a obra de Machado foi produzida, ou seja, saber um pouco mais sobre as modificações sociais da segunda metade do século XIX, como a abolição da escravatura e a Proclamação da República”.

 

Preços Populares

Releituras e novas coletâneas vêm saciar a fome do consumidor por lançamentos. Entretanto, a grande responsável por levar Machado ao grande público é uma parceria firmada entre a ABL e o Ministério da Cultura. Todos os livros do autor serão publicados por preços populares, entre três e cinco reais. Assim vai ficar fácil, e barato, conhecer melhor o nosso eterno Bruxo do Cosme Velho e, por consequência, a alma brasileira e a língua portuguesa. Talvez esses lançamentos sirvam de “pretexto para divulgar mais os próprios textos do autor e não apenas o que se escreveu ou disse sobre ele”. Para César Garcia este pode ser o maior benefício do Centenário.

Quem dança seus males espanta

março 16, 2008

Francisca

Dançando para não dançar leva cultura para lares e palcos

 

 

Para 450 crianças de onze comunidades no Rio de Janeiro, dançar afasta do mau caminho. Essa é sem dúvida a maior conquista do Projeto Dançando para não Dançar, patrocinado pela Petrobrás. Criado em 1995, com o intuito de “resgatar a criança através da música e da dança, levar cidadania”. O professor Paulo Rodrigues (51 anos) explica o outro resultado positivo “Dá tão certo que formou vários talentos e os encaminhou para grupos profissionais”. Ele sabe muito bem do que está falando, afinal, além de professor do Dançando é um dos poucos membros de um seleto time: o dos Primeiros Bailarinos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Somente alguns dançarinos detêm este cobiçado título.

Recentemente foi criada a Companhia Dançando para não Dançar e já em junho deste ano houve a primeira apresentação, em Brasília. A temporada continuou com apresentações pelo estado do Rio: Largo da Carioca, Teatro Municipal de Niterói e de Rio das Ostras, São Cristóvão, Paraty e Macaé; além de Bahia e São Paulo. O espetáculo de uma hora encerra a temporada nos dias 15 e 16 de novembro, no teatro João Caetano. Com a criação desta companhia de 20 membros foi possível resolver um grande problema no mundo da dança: a falta de mercado de trabalho. Segundo o professor Rodrigues, “sem a companhia vários talentos do grupo se voltariam para outras profissões por falta de mercado de trabalho. Com a Companhia podemos absorver os maiores talentos do projeto”.

 

Dançando com o sucesso

 

O sucesso de Francisca José de Soares (20 anos) é um modelo para toda criança interessada em dançar profissionalmente. “Eu sempre gostei de dança, mas a partir do Dançando minha vida toda mudou” contou a bailarina enquanto fazia alongamentos de balé para uma aula que estava prestes a começar.

Essa bela história começou quando ela tinha apenas nove anos. Levada pela mãe para o projeto recém criado Dançando para não Dançar, na comunidade do Cantagalo, Francisca José começou a ter aulas de dança. Em apenas seis meses entrou para a escola estadual de dança Maria Eneleva, onde estudou por três anos. Passado este tempo a jovem bailarina conseguiu uma bolsa para estudar na Staatlische Ballett Schuele Berlin, na Alemanha. Foram três anos estudando Balé Clássico e alemão.

Atualmente, Francisca trabalha como monitora do projeto Dançando e dançarina na companhia de mesmo nome. Além disso, está cursando uma faculdade de dança. “Nunca pensei que eu fosse fazer universidade, achei que a dança seria um hobby” revelou com um sorriso de orgulho. O fato de ter vindo de uma família pobre, não atrapalhou em nada sua carreira. Ao contrário, talvez tenha ajudo. É o que explica o professor Rodrigues: “As crianças mais pobres têm empenho, não faltam, repetem os exercícios. Talvez seja pela vida difícil. Já os ricos não têm garra ou gana”.

Mesmo quem não segue a dança como profissão fica beneficiado por participar do projeto Dançando para não Dançar. Além das aulas de dança, os alunos têm aulas de inglês e alemão e apoio de psicólogo, nutricionista, médico, dentista, fonoaudiólogo e assistente social. Tudo isso para levar cidadania a crianças necessitadas. Para quem não entendeu fica a explicação de Francisca José: “Dançando na arte para não dançar no mundo da marginalidade, das drogas, e do crime”.