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Quem dança seus males espanta

março 16, 2008

Francisca

Dançando para não dançar leva cultura para lares e palcos

 

 

Para 450 crianças de onze comunidades no Rio de Janeiro, dançar afasta do mau caminho. Essa é sem dúvida a maior conquista do Projeto Dançando para não Dançar, patrocinado pela Petrobrás. Criado em 1995, com o intuito de “resgatar a criança através da música e da dança, levar cidadania”. O professor Paulo Rodrigues (51 anos) explica o outro resultado positivo “Dá tão certo que formou vários talentos e os encaminhou para grupos profissionais”. Ele sabe muito bem do que está falando, afinal, além de professor do Dançando é um dos poucos membros de um seleto time: o dos Primeiros Bailarinos do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Somente alguns dançarinos detêm este cobiçado título.

Recentemente foi criada a Companhia Dançando para não Dançar e já em junho deste ano houve a primeira apresentação, em Brasília. A temporada continuou com apresentações pelo estado do Rio: Largo da Carioca, Teatro Municipal de Niterói e de Rio das Ostras, São Cristóvão, Paraty e Macaé; além de Bahia e São Paulo. O espetáculo de uma hora encerra a temporada nos dias 15 e 16 de novembro, no teatro João Caetano. Com a criação desta companhia de 20 membros foi possível resolver um grande problema no mundo da dança: a falta de mercado de trabalho. Segundo o professor Rodrigues, “sem a companhia vários talentos do grupo se voltariam para outras profissões por falta de mercado de trabalho. Com a Companhia podemos absorver os maiores talentos do projeto”.

 

Dançando com o sucesso

 

O sucesso de Francisca José de Soares (20 anos) é um modelo para toda criança interessada em dançar profissionalmente. “Eu sempre gostei de dança, mas a partir do Dançando minha vida toda mudou” contou a bailarina enquanto fazia alongamentos de balé para uma aula que estava prestes a começar.

Essa bela história começou quando ela tinha apenas nove anos. Levada pela mãe para o projeto recém criado Dançando para não Dançar, na comunidade do Cantagalo, Francisca José começou a ter aulas de dança. Em apenas seis meses entrou para a escola estadual de dança Maria Eneleva, onde estudou por três anos. Passado este tempo a jovem bailarina conseguiu uma bolsa para estudar na Staatlische Ballett Schuele Berlin, na Alemanha. Foram três anos estudando Balé Clássico e alemão.

Atualmente, Francisca trabalha como monitora do projeto Dançando e dançarina na companhia de mesmo nome. Além disso, está cursando uma faculdade de dança. “Nunca pensei que eu fosse fazer universidade, achei que a dança seria um hobby” revelou com um sorriso de orgulho. O fato de ter vindo de uma família pobre, não atrapalhou em nada sua carreira. Ao contrário, talvez tenha ajudo. É o que explica o professor Rodrigues: “As crianças mais pobres têm empenho, não faltam, repetem os exercícios. Talvez seja pela vida difícil. Já os ricos não têm garra ou gana”.

Mesmo quem não segue a dança como profissão fica beneficiado por participar do projeto Dançando para não Dançar. Além das aulas de dança, os alunos têm aulas de inglês e alemão e apoio de psicólogo, nutricionista, médico, dentista, fonoaudiólogo e assistente social. Tudo isso para levar cidadania a crianças necessitadas. Para quem não entendeu fica a explicação de Francisca José: “Dançando na arte para não dançar no mundo da marginalidade, das drogas, e do crime”.

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