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O que é jornalismo de precisão?

março 5, 2008

O norte-americano Philip Meyer foi quem propôs a metodologia do jornalismo de precisão, um caminho diferente do novo jornalismo dos anos 60 que utilizava técnicas literárias. Em seus livros Precision jornalism: a reporter´s introduction to social science methods e The new precision jornalism, publicados em 1973 e 1991, constatou o crescimento do número de habilidades necessárias à formação de um jornalista. Meyer pretendia aplicar métodos científicos de investigação social e psicossocial à prática do jornalismo. As aplicações das técnicas de “RAC” (Reportagem Assistia por Computador ou, em inglês, CAR – Computer Assisted Reporting) devem ser entendidas dentro deste contexto de aproximação entre jornalismo e ciência, proposto pelo jornalismo de precisão.

 

Técnicas instrumentais

 

As principais técnicas de “RAC” são a navegação e busca na Internet, utilização de planilhas de cálculo e bancos de dados, que servem para colher e processar informação. A busca na internet é feita através de sítios que utilizam palavras-chaves. Os mais conhecidos são o Google e o Yahoo, mas existem outros, como o Kartoo. O principal obstáculo são as referências irrelevantes. Outra dificuldade é a confiabilidade, já que não é possível saber se o conteúdo de um sítio é verdadeiro. Os sítios de maior credibilidade são os governamentais.

Planilhas de cálculo distribuem dados em colunas com linhas e funcionam como uma calculadora eletrônica sofisticada, capaz de fazer operações matemáticas em segundos. A mais utilizada é a Excel do Microsoft Office. Uma operação freqüente é a transformação de valores absolutos em porcentagens, dando origem a pautas e documentação que possibilitam afirmações conceituais. A capacidade de converter os dados em gráficos é um ótimo recurso, pois permite melhor visualização da informação. Os dados podem ser importados de tabelas divulgadas por qualquer meio. A boa utilização das planilhas pode gerar a credibilidade necessária para uma boa reportagem.

Bancos de dados permitem armazenar e organizar grande volume de informação em forma de números, textos ou fotografias, facilitando a comparação de diferentes informações. O programa mais comum para fazer um banco de dados é o Access do Microsoft Office. Um repórter especializado em determinada área pode colecionar bancos de informação. Muitos jornalistas o utilizam para facilitar o arquivamento de informação ao fazer “livros-reportagem”. No livro A Reportagem, Nilson Lage aconselha levar a lógica dos bancos de dados para todo arquivamento feito no computador, evitando a bagunça.

 

Conclusão

 

O desenvolvimento da “RAC” nos Estados Unidos é feito, em grande parte, pela NICAR (Instituto Nacional para Reportagem Assistida por Computador) que, até o início de 1999, havia treinado 12 mil repórteres (LAGE, 2001). No Brasil há uma enorme lacuna neste campo do conhecimento que só a partir de 2001 a ABRAJI começou a preencher. A importância da “RAC” e sua utilidade enquanto técnica científica aplicada ao fazer jornalístico é um sinal da necessidade da metodologia proposta por Meyer no jornalismo contemporâneo. O jornalismo de precisão não se resume à “RAC”, sendo este último um conjunto de técnicas, enquanto o primeiro é uma tentativa de transformar a formação de jornalistas, centrando-a em três habilidades: como encontrar a informação, como avaliá-la e analisá-la e como transmiti-la de modo à suplantar o ruído e chegar ao público. Portanto, adotar a metodologia do jornalismo de precisão é uma aproximação com as ciências exatas.